Entenda como a reforma tributária e o fim da CPRB vão transformar a forma como as empresas recolhem a contribuição previdenciária — e o que isso significa para você, contador.
Se você é contador, sabe que 2025 chegou trazendo mudanças importantes no cenário tributário brasileiro. Além da reforma tributária — que promete alterar regras e simplificar a carga fiscal no país —, um tema que merece muita atenção neste momento é a extinção da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB).
Essa mudança faz parte do esforço do governo para ajustar a arrecadação previdenciária e reequilibrar as finanças públicas, que também estão no foco da reforma tributária. Ou seja, são movimentos que caminham juntos e que impactam diretamente o custo da folha de pagamento das empresas.
Para o contador, isso significa um papel ainda mais estratégico: orientar clientes sobre os novos tributos, ajustar os cálculos e ajudar a planejar a gestão financeira diante desse cenário de transição.
Neste artigo, vamos explicar de forma simples o que era a CPRB, como ela vai acabar, qual o efeito da reoneração da folha e o que você precisa fazer para garantir a conformidade e o melhor suporte para seus clientes.
O que é (ou era) a CPRB?
A CPRB, ou Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta, foi uma alternativa que o governo criou lá em 2011 para reduzir os encargos sobre a folha de pagamento de alguns setores da economia.
Na prática, em vez de pagar 20% de INSS sobre a folha de salários, as empresas poderiam contribuir com um percentual bem menor, que variava de 1% a 4,5%, aplicado sobre a receita bruta. Isso ajudava a aliviar custos, principalmente para quem tinha muitos funcionários.
Por mais de uma década, essa desoneração ajudou empresas de diversos setores. Mas agora, em 2025, esse modelo começa a ser desfeito, e a reoneração da folha já está acontecendo de forma gradual até 2027, quando a CPRB deixará de existir de vez.
Fim da CPRB: o que mudou na legislação?
Depois de muita discussão, idas e vindas na Justiça, o fato é que a CPRB está com os dias contados. Tudo começou ainda em 2024, quando o STF suspendeu a prorrogação da desoneração que iria até 2027. A partir disso, o governo e o Congresso aprovaram a Lei nº 14.973/2024, que oficializou a reoneração da folha.
O que isso significa, na prática? Que as empresas vão deixar, aos poucos, de pagar a contribuição sobre a receita bruta e voltarão a recolher o INSS patronal de 20% sobre a folha de pagamento.
Mas calma: isso não acontece de uma vez. A lei prevê uma transição gradual entre 2025 e 2027, justamente para que as empresas tenham tempo de se adaptar.
O objetivo do governo é claro: recompor a arrecadação da Previdência Social, que ficou enfraquecida com a desoneração, e tornar a cobrança mais justa entre os setores.
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Como vai funcionar a reoneração da folha de pagamento?
A reoneração já começou em 2025 e vai ser feita de forma gradual até 2027. Na prática, as empresas vão pagar uma parte sobre a receita bruta (CPRB) e outra parte sobre a folha de pagamento (INSS patronal). E, a cada ano, essa balança vai mudando até que, em 2028, a CPRB seja extinta de vez.
Veja como ficou o cronograma:
Ano | CPRB sobre Receita Bruta | INSS Patronal sobre Folha |
2025 | 80% da CPRB atual | 25% do INSS (20%) = 5% |
2026 | 60% da CPRB atual | 50% do INSS (20%) = 10% |
2027 | 40% da CPRB atual | 75% do INSS (20%) = 15% |
2028 | Extinta | 100% do INSS (20%) |
Essa transição permite que as empresas se organizem financeiramente, mas, sem dúvida, representa um aumento de custos com folha nos próximos anos.
Impactos para empresas e seus contadores
Não tem como fugir: a reoneração da folha impacta diretamente o bolso das empresas. Quem antes pagava uma alíquota menor sobre a receita, agora volta, aos poucos, a ter que arcar com mais encargos sobre a folha de pagamento.
Isso significa que, para muitas empresas, o custo com funcionários vai aumentar. E, claro, isso já está caindo no colo dos contadores, que precisam recalcular, ajustar as projeções e orientar os clientes para não serem pegos de surpresa.
Empresas com folha muito pesada vão sentir mais. Por isso, agora é essencial que o contador ajude o cliente a entender o impacto real desses custos no caixa, no preço dos produtos ou serviços e, se necessário, até pensar em ajustes no modelo de negócio.
Além disso, é preciso ter atenção redobrada nos cálculos, principalmente para quem tem atividades mistas — parte desonerada, parte não —, já que o risco de erro aumentou.
Exemplo de cálculo
Pra ficar mais claro, vamos ver na prática como esses cálculos estão funcionando em 2025.
Imagine uma empresa que sempre usou a CPRB, com os seguintes dados:
- Folha de pagamento: R$ 150.000
- Receita bruta: R$ 170.000
- Alíquota da CPRB: 2,5%
Em 2024, ela pagava só a CPRB:
170.000 x 2,5% = R$ 4.250
Agora, em 2025, com a reoneração:
- CPRB cai para 2% → 170.000 x 2% = R$ 3.400
- INSS sobre folha entra com 5% → 150.000 x 5% = R$ 7.500
Ou seja, a empresa que antes pagava R$ 4.250, agora paga R$ 10.900 de contribuição previdenciária.
Esse valor vai subindo aos poucos até 2028, quando a CPRB acaba de vez e o INSS sobre a folha volta a ser 20% integral.
Por isso, é fundamental que o contador esteja atento e ajude o cliente a entender essa transição, evitando surpresas no caixa da empresa.
Pontos de atenção para contadores
Se você é contador, fique atento a alguns detalhes importantes nessa transição da CPRB para a reoneração da folha:
- 13º salário: entre 2025 e 2027, a contribuição patronal não incide sobre o 13º salário nas empresas que ainda têm parte da folha desonerada. Isso é algo que precisa ser bem controlado no cálculo para evitar erros.
- Cálculo proporcional: para empresas que têm atividades desoneradas e não desoneradas, o cálculo da contribuição fica mais complexo, pois deve ser proporcional à receita de cada atividade. Atenção redobrada para não cometer equívocos.
- Atualização do e-Social: o sistema já disponibilizou orientações para ajudar no cálculo da reoneração, então é importante acompanhar as atualizações e usar as ferramentas oficiais.
- Revisão cadastral: revise sempre o CNAE, o faturamento e as atividades dos seus clientes, pois isso impacta diretamente a alíquota aplicada e o cálculo correto da contribuição.
- Atualização dos sistemas: certifique-se de que os softwares de folha e gestão contábil estão preparados para aplicar essas mudanças, evitando retrabalho e multas.
Estar atento a esses detalhes vai ajudar você a prestar um serviço mais seguro e eficiente para seus clientes nessa fase de transição.
Conclusão: Reforma tributária, fim da CPRB e a reoneração da folha: orientações para contadores
Mais do que nunca, o profissional da contabilidade precisa estar preparado para orientar seus clientes com clareza, fazer os cálculos corretos e ajudar no planejamento financeiro diante desse aumento gradual dos encargos.
Estar atualizado, entender os detalhes da legislação e acompanhar as ferramentas oficiais será fundamental para evitar erros e fortalecer a relação de confiança com os clientes.
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